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Parei pra escrever um pouco ...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Falso moralismo.

Esse texto é para você que saiu da sala de cinema revoltado com as verdades estampadas no filme “Tropa de Elite 2”, ou para você que se acha um injustiçado quando assiste aos escândalos políticos de Brasília em um noticiário qualquer. Apontar o dedo e julgar o sistema carcerário ou político do Brasil é fácil. Criticar e condenar entidades corruptas como é o caso da igreja, justiça e polícia, isso é mole. Agora me diga com o que sobrou da sua sinceridade: Será que nós, reles mortais, somos assim tão melhores que eles?  Você que já pagou propina para um policial te aliviar de uma multa e você que aceita propina nessa ou em qualquer outra circunstância. Você que faz carteira de estudante falsa para pagar meia entrada. Você que apresenta ou fornece atestado médico falso para abonar falta no trabalho ou na escola. Você que sonega imposto ou faz gato para pegar o sinal de TV a cabo. Você que sustenta o tráfico de drogas comprando, vendendo ou simplesmente consumindo entorpecentes. Você que já cadastrou endereço falso para ter algum tipo de benefício e você que sustenta a pirataria comprando CD e DVD na ferinha da esquina. Você que reduz a quilometragem do seu carro usado antes de vender ou que compra carro sinistrado e vende como se não o fosse. Você que já comprou algum trabalho acadêmico ou mesmo que já vendeu algum. Você que se acha o máximo por ter um celular “bodinho” e você que vive parando o carro no estacionamento reservado para deficientes. Você que já roubou chocolate antes de entrar no cinema, você que já entrou pela porta dos fundos do ônibus ou você que subornou o garçom para aliviar a sua conta.Você que cobrou para fazer uma prova com o nome de outra pessoa, ou você que já pagou para fazerem por você. Você que comprou diploma do ensino médio para ingressar na faculdade. Você que vende o seu voto em troca de favores futuros ou você que pede pro seu colega assinar o ponto ou a chamada por você. Coisas simples, coisas graves. Tudo caracteriza um mesmo tipo de caráter. Você que faz uma ou várias dessas coisas, ou até outras não citadas, mais ou menos graves, e ainda se sente no direito de julgar, você é um hipócrita. Na verdade o que você sente em relação aos políticos não é revolta. Passa mais por inveja. Afinal se tivesse no lugar deles, certamente faria a mesma coisa ou até pior. O ser humano é assim por natureza, precisa apenas de uma oportunidade para provar isso. E não precisa negar, justificar ou prometer que vai mudar, basta apenas assumir a sua parcela de culpa nessa nossa sociedade podre, e parar com o seu falso moralismo. Obrigado.

Texto de Rafael Magalhães.    

Sem perdão não há amor.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Amor, que é amor, dura a vida inteira. Se não durou é porque nunca foi amor. O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou. O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado, eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto". O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração os quais sozinhos jamais poderíamos enxergar. O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração!" Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos, socorreu-me em minha cegueira. Eu possuía e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha. Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos. Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las. Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios. Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira. A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas... Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá de saber que com ela vão inúmeros espinhos. Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos... ou não.
 
Padre Fabio de Melo.